Manos Maratonistas na 1ª Maratona!

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O dia começou cedo, eu em casa do Nuno, com ele, o Pedro em Matosinhos mais perto da partida. Começamos a rotina: primeiro alimentar 1 h antes de sair de casa, o meu habitual iogurte de coco pasteurizado com compota de pêssego do LIDL e um pão com sementes com uma ou duas fatias de fiambre de frango. Em seguida metemos a tripa a funcionar, depois besuntamos os pés, sovacos, mamilos e virilhas com vaselina, vestimos o equipamento, colocamos o dorsal e chamamos o Uber. Matosinhos aqui vamos nós!

O Pedro já nos esperava, ficamos um pouco longe, mas até foi bom porque serviu para fazer um pequeno aquecimento de 10′.

Encontramos os Ricardos da ACNPN ambos têm outros planos de pace para a Maratona e o Pedro prefere jogar pelo seguro e fará a primeira parte connosco num pace mais conservador. As meninas da ACNPN que vão fazer os 10 km, entretanto já foram para as caixas de partida.

Aproveitamos e fomos na meio da confusão para dentro da nossa, o bloco de partida C mais de 3h45, pois claro. Muita gente bem disposta sapatilhas de 250 euros e tal, tudo à espera da partida que estava ainda a 7’ e muitos metros de acontecer. Lá fomos ouvindo o “speaker” a repetir-se em 500 línguas, até que começamos avançar para mais perto do pórtico de partida e lá vamos nós!

Primeiros 10km

Nestes inícios de prova há sempre o perigo de ser levado para fora do pace pretendido devido ao nosso entusiasmo e dos outros atletas em prova. Fui para frente deles e mantive o pace seguro, mais um pouco à frente começamos a subir e a malta deixou de ter vontade de acelerar, abrindo mais espaço para podermos correr ao nosso ritmo à vontade.

Lá por cima de Matosinhos passamos pela Ana Paula, a Nélia, a Helena e a Cristina, as nossas companheiras da ACNPN, num belo ritmo para os 10km.

Aos 50′ fizemos a primeira alimentação, e disse-lhes para o fazerem sempre 10 minutos antes de cada hora de prova, eles tomaram o gel do Aldi e eu Jellybar da Gold Nutrition.

Até chegarmos à placa dos 10 km, tivemos algumas descidas e subidas, fazendo com que o pace nem sempre fosse o ideal para o Nuno, por isso tivemos de deixar o Pedro seguir no seu ritmo.

Até aos 21km

Fixamos os 7′ /km e lá vamos nós por aí fora. Nesta altura tudo ok, uma chuvita antes de chegar à Foz, que até soube bem e não deu para ensopar, apenas uma nuvem passageira, para refrescar.

Esta zona tem uma ligeira subida, mas daí para frente sempre a rolar certinhos no pace. Os primeiros, só vimos antes de chegarem ao km 37 deles, o que não lhes augura grandes tempos finais, pois já estávamos em cima das 2h de prova.

Entretanto, mais um Jellybar para mim e para o Nuno. Fomos à hidratação posto, sim, posto não, porque trouxemos as nossas garrafas, e fomos usando a água que tínhamos antes de buscar outra.

O melhor de ir a um pace de Trail longo é que dá tempo para tirar fotos, falar, filmar, apreciar as maravilhas da Natureza e no nosso caso apreciar fantásticas obras de arquitetura e engenharia.

Da Alfândega à Ribeira “foi um tirinho”, entramos no túnel onde se começa a ouvir os acordes da música dos Survivor, “The eye of the Tiger” do mítico Rocky III, foi engraçado, mas, não fez grande efeito. Talvez porque na ida para a ponte D. Luís I, estavamos a descer e ainda mais ou menos frescos. Como dois cinéfilos faria mais efeito em nós o “Chariots of Fire” dos Vangelis do “Momentos de Glória”. LOL

Ao passar da ponte, encontramos o Ricardo vinha num pace fortissimo, mas não com muito boa cara, ainda me pediu uma barra, porém já não consegui o apanhar na ponte e voltei ao Nuno. No outro lado lá estava Gaia e muita Gaia havia ainda para correr. 4 km 1/2 para lá 4 km 1/2 para cá.

E depois dos 21?

Essa foi a questão que há 2 semanas me atormentava. A minha resposta a brincar era que se fosse preciso levava-o às costas 😉 Na verdade foi mais ou menos isso que se passou, mas não literalmente.

Primeiro aos 23 começo a perguntar como a coisa vai? Tudo o que estava para vir era novo, devido à falta de treinos mais longos. Descemos um pouco a intensidade dos 7’/km para os 7’40/km de maneira a podermos controlar os batimentos cardíacos e a respiração do Nuno, contudo ainda assim conseguiamos ultrapassar algumas pessoas. Bem antes do retorno cruzamo-nos com o Pedro que vinha um pouco depois da bandeira das 4H30′ calmamente no seu ritmo.

28 km será que chegamos lá?

Aos 26 surgiu a primeira secção de 4 minutos de caminhada, segui ao lado em passada sempre um pouco mais rápida que o Nuno, para ver se ele saia da zona e voltávamos por mais uns tempos a um ritmo minimamente aceitável. Lá conseguimos arrancar aos 27 km e foram 3 bons quilómetros, até nova quebra. Primeiro muro rebentado com distinção, mas outros se avizinhavam.

32 km do outro lado do Douro

Saímos de Gaia, atravessamos a ponte com bom ritmo, e com 30 feitos começa novamente a quebra, desta vez não devido aos bpm altos, mas sim porque o corpo não sabe o que está fazer e a respiração fica mais difícil de ritmar.

Levamos com outra chuvada e pouco depois cruzamos com o Pedro novamente, vinha com bom ritmo e em controlo.

Mas nós estavamos novamente em decadência, abandonamos novamente o ritmo de 7’30/km e fomos descendo aos 9’/km umas vezes em corrida, outras em caminhada, outras arrastando o corpo. LOL

Não foi fácil manter o foco do Nuno, puxei por ele, fizemos de todo para ele controlar a respiração e não a respiração o controlar, com um pouco de Ioga e Tai-chi juntos. Alguns que ultrapassamos anteriormente passaram por nós e fomos encontrando, mesmo assim, mais alguns, que ainda tinham um caminho difícil pela frente, com uma passada já bem mais lenta, que a nossa. Aos 32 apanhamos uma carga de água que nos deixou as sapatilhas cheias de água.

A caminho dos 38

Voltamos ao túnel e lá estava nos ecrãs, o Stalone a correr que nem um maluco, pelas ruas de Philadelphia, perseguido por centenas de crianças em alta velocidade. Sacudimos a água, apanhamos balanço, a descer do túnel. Com as pessoas a aplaudir e a puxar por nós, torna-se mais fácil. Passamos junto ao Palácio Bolsa e voltamos a um ritmo bonzinho. Disse ao Nuno para comer uma barra de eletrólitos, que ele ia precisar dessa energia para o quilómetro 38. Lá fomos certinhos, com esperança que tudo vá correr bem

Últimos 4 km

Passamos os 38 com algum à-vontade, mas depois da Foz, o vento contra estava forte, à nossa velocidade, a mim não incomodava, mas ao Nuno equivalia quase a estar a 7’/km. Eu na altura não me apercebi, os bpm foram aumentando e aos 40km, o Nuno rebentou e simplesmente a mente desistiu. O que para mim já era uma vitória chegar-mos aos 40km antes dos 5h, agora era uma questão de honra quase kamikaze, leva-lo aos 42 km, porque dali já víamos a rotunda. Tão perto, no entanto, tão longe!

Obrigado, São Pedro!

O facto de estar a simular uma passada ao lado do Nuno, estava a pressiona-lo, quando me apercebi disso comecei a caminhar junto dele e dei-lhe a mão, “vamos lá campeão tu consegues, é mesmo ali ao fundo! Entretanto, cruzamos com o Ricardo Fernandes que nos incentiva, dizendo que há cerveja fresquinha na meta.

Já depois da placa dos 41 começamos a descer para o Castelo do Queijo, quando o vento começa a soprar ainda mais forte. Mas antes de lá chegarmos, começa a cair uma chuvada daquelas. Começamos a abrir a passada de caminhada, quando rapidamente voltamos finalmente a correr, aumentando a velocidade porque senão básicamente, eramos quase arrastados para cima da rotunda. Em seguida ao Castelo do Queijo, no viaduto durante 600 metros, levámos uma saraivada de granizo vindo do mar, que nos tentava furar. Eu dei o corpo às balas, mas de pouco servia, porque de qualquer maneira o Nuno levava com gelo na mesma. Chegando na rontunda da Anemona, Arrebitamos e comecei-lhe a gritar é agora campeão é para meta. Porque ou corriamos mesmo ou viravamos cubos de gelo com a quantidade de água que tinhamos na roupa.

A chegada

No topo do Queimodromo estavam os nossos amores, ainda parámos para a foto e lá fomos nós a cortar a chuva, para agora sim, cortar a meta, com grande euforia e muito cansaço.

Terminamos com um abraço bem apertado. Faltava o Pedro no abraço, que tinha despachado a dele e já estava no duche quentinho. O Pedro conseguiu fazer a ritmo regular a maratona, só não estava à espera de apanhar tanto vento aos 38km. A partir daí foi uma sacrificio chegar ao fim.

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